galera-pulando

FELICIDADE

“Considerando a comprovada propensão humana para fazer mau uso do poder, parece ingênuo acreditar que quanto mais influência as pessoas tiverem, mais felizes serão”

YUVAL NOAH HARARI

Trecho do livro SAPIENS – Uma breve história da humanidade.

Se começarmos o dia questionando um certo numero de pessoas, sobre qual é o verdadeiro sentido das suas lutas diárias e por qual motivo essas pessoas continuam lutando, ou o que elas esperam alcançar com seus sacrifícios, certamente uma boa parte dessas pessoas responderão que estão em busca da Felicidade. Mas, quando saberemos que a encontramos ou será que este glorioso prêmio pode ser alcançado por alguém?

No livro de Yuval Noah Harari ele descreve que os capitalistas sustentam que só o livre mercado pode garantir a maior felicidade possível para o maior número de pessoas, criando crescimento econômico e abundância material e ensinando as pessoas a serem autossuficientes e empreendedoras. Parece tentador, mas será que realmente a felicidade é algo que se possa comprar?

Quem pode garantir que um jovem rico se sinta mais feliz ao ganhar sua Ferrari que um adolescente africano ao passar com honras em um ritual que o credencia como guerreiro de sua tribo? Como medir este sentimento e quão rápido ele passará? Estamos vivendo uma era de muitas convicções frágeis, plantadas em nossas vidas por uma sociedade cheia de dogmas e estruturas que nos avaliam pelo que somos capazes de acumular e não pela honradez que empregamos ao longo de nossas vidas. Diante desta fragilidade é realmente difícil definir o que é felicidade.

Parece que estamos nos movendo de forma antinatural apenas por convenções sociais programadas nas nossas mentes desde a tenra infância. Uma criança recém nascida tem uma capacidade infinita de amar, basta ser tratada com carinho e cuidado e ela será capaz de amar qualquer outro ser humano sem distinção alguma, porém basta ela ser capaz de compreender os atos e atitudes dos adultos a sua volta e esta capacidade vai se enfraquecendo pouco a pouco. Nós temos uma grande capacidade de limitar e impor condições para que nosso semelhante possa obter nossa admiração e amor, criando ambientes cada vez mais competitivos e hostis, afinal o objetivo é conquistar e acumular para ser feliz.

Os nossos ancestrais que viveram na terra a aproximadamente 20 ou 30 mil anos atrás, não tinham a preocupação de acumular riquezas, eram caçadores que apenas se uniam em grupos para caçar, comer e se proteger. As relações entre indivíduos tinham que ser de absoluta confiança, pois um dependia do outro para que a caçada fosse bem sucedida, as disputas aconteciam obviamente, mas as relações  provavelmente eram mais francas e dotadas de uma certa honra. Como poderemos avaliar que estes indivíduos que viveram a tanto tempo atrás, sem nenhum conforto da vida moderna, sem meios de comunicação eficientes e sem todo o aparato tecnológico do qual dispomos hoje, foram mais ou menos felizes que os indivíduos da nossa geração?

Se voltarmos apenas uns 550 anos atrás, e observarmos as culturas pré-colombianas da américa do sul (Incas, Maias e Astecas) que eram povos com uma forte ligação com a natureza e consideravam o planeta terra como seu principal e poderoso parceiro, esses povos viviam em harmonia com as estações climáticas e respeitavam os ciclos terrestres e do cosmo, tinham um excelente conhecimento de astronomia, tendo em vista a tecnologia que dispunham naquele tempo, viviam em sociedades muito bem organizadas onde cada individuo tinha suas obrigações para com o coletivo  e assim prosperaram por muito tempo e só não sobreviveram por que foram aniquilados por uma sociedade invasora que detinha maior poderio bélico, mas quem pode garantir que hoje o povo peruano, mexicano e boliviano com toda estrutura que os cerca ou é posta a sua disposição pode ser mais feliz que seus primitivos ancestrais?

Nas sociedades mais antigas, estabelecer boas relações de amizade e se posicionar bem perante o grupo era uma questão de sobrevivência,  hoje dispomos de uma vida social muitas vezes cheia de compromissos, mas isso não nos garante muita coisa, tendo em vista que atualmente as relações estão cada vez mais superficiais, podemos perceber que o avanço tecnológico nos afasta das relações pessoais, percebemos ao longo de nossos dias cada vez mais que coisas cotidianas como um almoço em família num restaurante ou mesmo em casa pode ser comprometido pela necessidade de se manter conectado a uma vida digital e virtual que nos atrapalha no convívio corpo a corpo, basta observar nas mesas de restaurantes pessoas que supostamente foram compartilhar o almoço juntos não conseguem se desgrudar de seus smartphones. Em tempos mais antigos um almoço em família era um ritual onde o convívio e a apreciação dos sabores e cheiros das comidas e bebidas e o compartilhamento de experiências era o ponto primordial da cerimonia e se formos ainda mais longe no passado, poderemos constatar que as amizades eram laços de tamanha importância que um individuo dependia do seu amigo para sobreviver as duras jornadas e com eles compartilhavam a comida conquistada na caçada, relação bem diferente das estabelecidas em tempo atuais, onde os amigos se encontram em mesas de bar para saborear uma cerveja e depois cada um retorna para seus problemas e angustias sem mesmo sequer ter coragem de dividi-los com os companheiros.

Podemos estar a caminho de colocar em risco todos os recursos disponíveis no planeta para sustentar nosso modo de vida, e ainda mais, estamos enfraquecendo todas as formas de se alcançar relações de confiança, duradouras  e que podem nos trazer alguns momentos de plena felicidade, e estamos fazendo isso de livre e espontânea vontade, com a falsa ideia que isto pode nos trazer alguma felicidade. Até que ponto o avanço da ciência, da tecnologia e o acesso a bens de consumo garantem que indivíduos de uma sociedade sejam mais ou menos felizes?

Com certeza esta é uma pergunta de difícil resposta ou quem sabe até mesmo nunca será  respondida, mas, o questionamento é muito importante, pois, toca em uma questão sensível.

Para encerrar vou transcrever outro trecho de Sapiens do brilhante Yuval Noah Harari:

“ Nas ultimas décadas, temos perturbado o equilíbrio ecológico do nosso planeta de muitas maneiras, provavelmente com consequências terríveis. Há muitos indícios de que estamos destruindo as bases da prosperidade humana em uma orgia de consumo desenfreado”

Um abraço

Rodney Bernardes Vilanova

4 comentários em “FELICIDADE

  1. A felicidade está em desejar a felicidade do outro sem desejar nada em troca. A felicidade consiste em reconhecer os nossos erros, em perdoar e deixar o outro partir, sabendo que cada um cumpriu verdadeiramente o seu papel. A felicidade consiste em semear e cultivar a verdade por todos os caminhos que viermos a percorrer. Felicidade é simplesmente deixar a nossa parte divina guiar as nossas vidas.

  2. As relações entre os indivíduos na antiguidade e na atualidade foram e sempre serão movidas pela confiança plena e absoluta. As relações eram mais francas e se pautavam nos deveres da moral e da justiça, honestidade, probidade e dignidade. Hoje, o que se predomina é um jogo de poder, alimentado pelo Ego. A quebra de confiança nas relações gera sentimentos que perdurarão por toda uma vida, deixando cicatrizes profundas.
    A verdadeira felicidade é alicerçada por relações abertas onde a confiança é a base estrutural desta relação.
    Felicidade e confiança caminham lado a lado, nas mesma direção.
    Felicidade é poder viver cada dia intensamente, podendo olhar para trás com orgulho.

  3. O questionamento deveria sim ser o seguinte: Será que ao alcançarmos a verdadeira felicidade teremos o discernimento necessário para nos darmos conta que a encontramos?

    Estamos sempre a perseguir por algo e ao depararmos com a felicidade, o que fazemos? Não nos sentimos merecedores desta felicidade e simplesmente abrimos mão dela para irmos em busca de ilusões passageiras e sem conteúdo.

    Quando percebemos que a felicidade estava ao nosso alcance, ela simplesmente se foi…

  4. Felicidade!!!

    Felicidade é estar ao lado de quem se ama, sem ceder as nossas fraquezas , como meros seres humanos.

    Quem a gente ama, respeitamos, confiamos, somos verdadeiros, somos eternamente gratos por permitirmos amar e ser amados.

    A felicidade a gente colhe, é tão simples assim!

    Estou em busca dá felicidade que um dia abri mão, pelo simples capricho do Ego.

Deixe uma resposta