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Xiitas e Sunitas – A Segregação do Islã

Em primeiro lugar gostaria de esclarecer que o texto abaixo tem como único objetivo proporcionar uma visão histórica das diferenças que separam as duas correntes do islamismo, não temos a pretensão de acentuar a visão muitas vezes deturpada que o fundamentalismo religioso esteja presente em apenas uma das correntes, o que de certo não é uma verdade, com a ajuda de alguns textos já publicados, tentaremos dar ao leitor uma visão histórica das razões que levaram a segregação destas duas correntes da fé islâmica.

Assim como no Cristianismo existem varias correntes de pensamento e de expressão da fé, não seria correto dizer que esta ou aquela professa o fundamentalismo, este comportamento em sua maioria está ligado a forma como alguns condutores empregam seu poder de evangelização e o fiel abraça sua fé.

Na verdade entendemos que a religiosidade e a busca pelo sagrado deveria elevar o ser humano, e incentivá-lo a exercitar a benevolência, a compaixão e o amor, mas, as diferenças religiosas acabaram sendo o principal motivo de inúmeras guerras e massacres ao longo da história da humanidade, portanto, tentar entender as principais diferenças entre os pilares da fé,  pode nos ajudar a sermos mais tolerantes e compassivos.

Mais a frente estaremos também publicando a diferença entre as principais correntes do Cristianismo e do Budismo.

obrigado

Rodney Bernardes Vilanova

 

 

Após a morte do profeta Maomé (ou Mohammed), o fundador do Islamismo e autor do livro sagrado Alcorão, houve um processo de disputa para decidir quem deveria sucedê-lo, já que o Islã não consistia apenas em uma religião desconectada do poder político. O Islã, em si mesmo, está estruturado em uma proposta de civilização que articula princípios religiosos e políticos.

 

Da disputa pelo direito de sucessão legítima do Profeta, duas correntes tornaram-se majoritárias: os xiitas e os sunitas.Tal disputa teve seu início em 632 d.C., quando os califas (sucessores de Maomé), que também eram sogros de Maomé, Abu Bakr e Omar, tentarem organizar a transmissão do poder político e da autoridade religiosa. Essa tentativa logrou êxito até o ano de 644 d.C., quando um integrante da família Omíada, também genro de Maomé, chamado Othmã, tornou-se califa e passou a ter sua autoridade contestada por árabes islamizados que viviam próximos à Medina. Othmã acabou sendo assassinado.

 

Ao assassinato de Othmã esteve associada a figura de Ali, primo de Maomé que sucederia ao califa assassinado. Os muçulmanos contrários a Ali declararam guerra ao califa e seus simpatizantes. A figura mais proeminente que contestou a autoridade de Ali foi o então responsável pelo poder da Síria, Muhawya. Esse último decidiu apurar o assassinato de Othmã e averiguar a participação de Ali no caso. Isso foi o bastante para que outro grupo muçulmano conspirasse contra Ali, que acabou também assassinado.

Muhawya, então, tornou-se um califa poderoso e transferiu a capital do califado de Medina para Damasco, atual capital da Síria. Seus oponentes, que defendiam a sucessão do califado pela hereditariedade, isto é, pelos descendentes da família de Maomé, ficaram conhecidos como xiitas, um grupo ainda hoje minoritário e que se caracteriza por ser tradicionalista, conservando as antigas interpretações do Alcorão e da Lei Islâmica, a Sharia.

 

Já os membros do outro grupo, muito maior em número de adeptos ainda hoje, constituindo cerca de 90% da população islâmica, ficaram conhecidos como sunitas, primeiro por divergirem da concepção sucessória dos xiitas e, segundo, por sempre atualizarem suas interpretações do livro sagrado do Alcorão e da Lei Islâmica, levando em consideração as transformações pelas quais o mundo passou e valendo-se de outra fonte além das citadas, a Suna — livro onde estão compilados os grandes feitos e exemplos do profeta Maomé. Daí deriva o nome sunita.

 

A grande maioria dos muçulmanos é sunita – estima-se que entre 85% e 90%.

Membros das duas vertentes coexistem há séculos e compartilham muitas práticas e crenças fundamentais.

Apesar de se misturarem pouco, há exceções. Nas áreas urbanas do Iraque, por exemplo, casamentos entre sunitas e xiitas eram comuns até recentemente.

As diferenças entre os dois grupos estão mais nos campos de doutrina, rituais, lei, teologia e organização religiosa.

Seus líderes também parecem constantemente estar competindo entre si.

Do Líbano e Síria ao Iraque e Paquistão, vários conflitos recentes enfatizaram divisões sectárias, dividindo comunidades.

 

Recentemente fatos importantes ajudaram a reacender a rivalidade entre as duas correntes da fé islâmica.

 

A Arabia Saudita executou o destacado clérigo xiita dissidente Nimr Baqr al Nimr junto com outros 46 réus acusados de terrorismo, informou no sábado o Ministério do Interior. A decisão de incluir o xeque Nimr, cuja condenação observadores ocidentais acreditavam que seria comutada, constitui um duro golpe para a minoria xiita do reino e agrava as tensões sectárias na região. Irã, Iraque e o Hezbollah libanês condenaram a medida, que já desencadeou protestos.

Por isso, as forças de segurança iranianas prenderam 40 pessoas no domingo após um ataque na noite de sábado na Embaixada da Arábia Saudita em Teerã. O local sofreu um incêndio, após ser atingido por coquetéis molotov. Centenas de pessoas se reuniram em frente ao prédio diplomático para protestar contra a execução de al Nirm. O presidente iraniano, Hassan Rohani, descreveu como “totalmente injustificável” a tentativa de invadir a embaixada da Arábia Saudita, ao mesmo tempo em que insistiu na condenação da execução do clérigo.

Proeminente crítico dos al Saud, a família real saudita, o xeque al Nimr tinha sido detido em várias ocasiões durante a última década. Mas foi o papel nos protestos de 2011-2012 que motivou sua condenação à morte, ratificada em março passado e muito criticada pelas organizações de direitos humanos. Durante a primavera árabe, a minoria xiita (em torno de 10% da população saudita) manifestou-se diversas vezes na Província Oriental, onde se concentra essa comunidade, para denunciar sua discriminação legal e pedir a libertação de xiitas detidos sem julgamento. Al Nimr, que tinha 56 anos, era muito popular entre os jovens.

“A mensagem enviada pela execução do xeque al Nimr é que as autoridades sauditas não toleram nenhum tipo de oposição nem pedidos de reforma, quer sejam feitos forma violenta ou pacífica”, declarou ao EL PAÍS o dissidente Ali Adubissi, diretor da Organização Euro-Saudita para os Direitos humanos (ESOHR).

O porta-voz do Ministério de Exteriores saudita, Osama al Nugali, defendeu em sua conta do Twitter que a pena não se deve a sua condição de xiita, mas sim de terrorista. Entretanto a Reprieve, uma organização britânica de direitos humanos que acompanha o caso, qualificou as execuções como “alarmantes” e afirma que pelo menos quatro, incluindo Al Nimr, foram condenados por motivos políticos.

Junto ao religioso xiita, também sofreram pena de morte vários acusados pelos atentados que a Al Qaeda cometeu no reino em 2003, mas seu sobrinho, Ali al Nimr, que tinha 17 anos quando foi detido por participar dos protestos, não estava na lista. Salvo um egípcio e um chadiano, todos eram sauditas. O comunicado do ministério do Interior não detalhou o método das execuções, que na Arábia Saudita costumam ser por decapitação, mas precisou que foram realizadas em 12 cidades do país. No ano passado, o primeiro do Governo do Rei Salman, a Arábia Saudita executou 150 pessoas, a cifra mais alta dos últimos 150 anos.

(FONTE: El País)

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